Uma imagem, mil palavras#38

Escrevo-te, no silêncio da escuridão, sob o barulho das estrelas, ouvindo pensamentos, procurando novos caminhos, desenhando sonhos e desmistificando sentimentos. Dando forma ao passado e ao presente e transformando o futuro numa simples silhueta com algumas curvas desencontradas prontas para serem limadas a qualquer momento.

Escrevo-te buscando inspiração na tua figura, na tua maneira de ser, no que eras, no que és e no que serás. No ser exemplar que a dádiva da vida me ofereceu e deu a conhecer. Naquilo que me ensinaste, nas lições que me deste, na forma como me agarraste. Na tua maneira de estar: sempre ao meu lado incondicionalmente como se uma boa parte de mim – a melhor -, fosses mesmo eternamente tu ou parte de ti. No ar conquistador, no amor desmedido, na entrega desafogada, intensa e impensada. 

Escrevo-te partindo em busca do teu olhar por entre folhas de rascunho, de linhas e quadriculado, rabiscos e palavras apagadas. Numa escrita fluída e desenfreada como o teu lado mais inquieto e aventureiro, procurando o teu sorriso por detrás de cada palavra escrita.

Read More »

“Hoje é ontem e amanhã”, por José Luís Peixoto

Aos poucos, as dezenas de vendedores de comida que encontrei ao longo da rua abriram-me o apetite: pastéis de qualquer coisa, salsichas melosas, tigelas de arroz branco, sorvetes com um palmo de altura, castanhas assadas, polvo assado, lascas de peixe seco, talhadas de melão ou de ananás espetadas em pauzinhos, enormes frigideiras a fritarem cubos por identificar. Decidi provar um doce. Aproximei-me de um rapaz de avental que vendia bolas com cobertura de vários sabores, pareciam feitas de bolacha. Por gestos, escolhi uma de chocolate e outra cor de rosa, talvez de morango, e sorri. Ele enfiou-as numa bolsa de papel. Creio que cheguei a estender a mão para as receber, mas ele pousou a bolsa em cima do balcão e, de repente, começou a martelá-la com um enorme martelo de madeira. Quando ma entregou, o sorriso já me tinha murchado no rosto. Paguei com a quantia certa de wons. Após alguns passos, abri a bolsa para ver as bolas completamente esmagadas. É dessa maneira que devem ser comidas. Agora já sei.

A Coreia do Sul é muitas vezes assim. No meio de tantas diferenças, parece que encontrámos algo que conhecemos e, de repente, há um pequeno detalhe a mostrar que, afinal, não era tão simples como imaginávamos. A importância das pequenas coisas pode ser enorme. Na cultura coreana, há uma atenção extrema ao detalhe, ao rigor.

Roendo migalhas, continuei a caminhar pela rua principal de Insadong. As vozes da multidão chegavam de todos os lados porque eu era um entre milhares. À minha volta, famílias inteiras, casais de namorados, grupos de adolescentes; as vozes de todos misturavam-se com os gritos dos vendedores à porta das lojas, a distribuírem amostras de perfumes ou panfletos, vozes misturadas, palavras coreanas encaixadas umas nas outras como peças de um puzzle sonoro. Em coreano, dong significa “bairro”, a divisão menor da administração local. Insadong é uma das áreas comerciais mais conhecidas de Seul. A rua principal organiza o bairro como um tronco. A partir dela, ramificam-se pequenas ruas, travessas, becos, que podem terminar em centros comerciais com vários andares, espécie de labirintos. Não há limite para aquilo que pode ser vendido em Insadong mas encontra-se muita oferta de produtos tradicionais: chá, porcelana, apetrechos de caligrafia, entre tantos exemplos possíveis. É uma zona boa para caminhar lentamente, a ver tudo, a descobrir muito.

Read More »

[Ao Teu Lado] Quem já leu… #38

Hoje trago-vos a opinião da Ana Rute Primo (ig: anaruteprimo)

𝘼𝙤 𝙏𝙚𝙪 𝙇𝙖𝙙𝙤 de Ana Ribeiro
⭐⭐⭐

Gostaria de começar por agradecer à autora, Ana Ribeiro, por me ceder um exemplar deste seu livro em formato digital.

Tenho de referir em primeiro lugar que este livro não me encheu as medidas, logo à partida porque não é, de todo, o meu género literário de eleição. Um enredo que se foca na amizade e no amor de uma forma arrebatadora, talvez uma história demasiado idílica, o que a torna pouco credível e recheada de clichés.

Aborda ao de leve alguns temas cada vez mais debatidos na nossa sociedade como, por exemplo, o bullying, o preconceito, o respeito pela diferença, a violência no namoro…

Read More »

[EscreVivendo] “E se fosse comigo?”

Chamo-me Pedro, tenho trinta e um anos e esta é a minha história. Uma história improvável e até algo inacreditável para muita gente; aliás, já se passou quase um ano e muitas pessoas continuam a desconfiar das minhas palavras, roubando-lhes credibilidade. Continuam a recair sobre mim todas as culpas, de uma situação que não fui eu que criei.

E se fosse comigo?

Era uma pergunta que fazia a mim próprio no passado, quando se falava do tema; não acreditando que no futuro iria ser eu próprio a vivenciá-lo da pior das formas.
Dizem que os homens não devem ser piegas, nem devem chorar porque isso deixa a nu as suas fragilidades: fragilidades essas que um homem não deve ter direito a ter e põe em causa a sua força e a forma como é visto pelos outros. A verdade é que as minhas lágrimas continuam cá, muito sinceramente, acho que já não tenho mais lágrimas para chorar. Mas se não tenho lágrimas como posso expressar a mágoa que sinto?

Read More »

[Resenha] “Just One Night” – Gayle Forman

Sinopse:

After spending one life-changing day in Paris with laid-back Dutch actor Willem De Ruiter, sheltered American good girl Allyson “Lulu” Healey discovered her new lover had disappeared without a trace. Just One Day followed Allyson’s quest to reunite with Willem; Just One Year chronicled the pair’s year apart from Willem’s perspective. Now, back together at last, this delectable e-novella reveals the couple’s final chapter.

Read More »