[Poesia à Solta] “Nunca deixes de cuidar de Mim”

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Nunca deixes de cuidar de mim
E do nosso Amor.
Protege-nos
Com firmeza

Com o olhar
Que me ilumina
Pelas manhãs
Com a pureza
Da natureza

Com a doçura
De um beijo
Com bravura
Com a máxima brandura

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“O trabalho silencioso das oliveiras”, por José Luís Peixoto

jose_luis_peixotoO homem que tira os restos de azeitona seca dos círculos de corda onde é prensada tem as mãos pretas. À noite, no café, quando chega com o banho tomado, ainda cheira a azeitona, é um cheiro intenso, entranhado na pele, que se mantém durante os meses do ano em que o lagar funciona. As suas mãos ainda estão pretas. Nada disso sai com água e sabão. Ninguém estranha. É como se fosse uma característica da sua pele e da sua condição. Na vila, toda a gente sabe aquilo que ele faz.

No lagar, depois de pesadas, as sacas são despejadas para uma enorme divisão de cimento, como um lago de azeitonas brilhantes. Um louco seria capaz de mergulhar nessa superfície, dá vontade. Cada uma daquelas bolinhas foi puxada do ramo onde cresceu. Algumas nasceram mesmo lá em cima, na última ponta de um ramo estenográfico. A chuva caiu do céu e foi filtrada através de uma máquina com séculos: a oliveira. As raízes beberam-na da terra, os veios da madeira filtraram-na e encheram cada uma daquelas bolinhas pretas. Read More »

[EscreVivendo] “Ao irmão que nunca tive”

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Fazes-me falta. Nesta falta que me fazes, sinto o vazio da tua ausência, da solidão em que cresci por não estares aqui. Gostava de poder ver o mundo tal como ele seria se fizesses parte da minha vida: completo, cheio e pleno. Sinto que sem ti só vejo o mundo pela metade. Não vejo o mundo da mesma forma, com os mesmos detalhes, com as mesmas definições e convicções. Não tem as mesmas pessoas, as mesmas cores, os mesmos sons, os mesmos aromas: a mesma voz.

Falo de ti e para ti porque sempre quis ter um irmão, não me importaria se fosse uma irmã; mas os irmãos parecem ser mais feitos de sabedoria e independência.

Fazes-me (tanta) falta. Faz-me falta a cumplicidade inabalável de irmãos. Fazem-me falta as brigas de irmãos: ter sempre alguém com quem implicar a toda a hora, a luta pelos mesmos brinquedos, pelo mesmo lugar à mesa, pelos pratos de comida favoritos, pelos programas de televisão, pelo lugar na cama e pela história que a mãe vai contar todas as noites para adormecermos. Faz-me falta aquele abraço de irmãos e um pouco se desassossego cá em casa. Faz-me falta que alguém como tu tivesse crescido comigo para estar ao meu lado no caminho para a escola e para me ensinar a ser mais forte, mais guerreira e lutadora nas dificuldades da vida e nos obstáculos interpostos pelos outros. Sabes como as pessoas são: crescemos a cruzar-nos com pessoas que para além não de nos encherem as medidas, nos desiludem, nos magoam e na grande maioria das vezes nos entristecem para o resto da vida. É algo que faz parte de sermos pessoas, à medida que evoluímos vamos aprendendo a conhecer e a fazer melhores escolhas. Faz-me falta alguém como tu para me olhar serenamente nos olhos com aquela ternura de duas almas que sabem tudo de cor e me oferecer um sorriso inesperado, familiar, meigo e acolhedor.

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[Resenha] “Ciclone” – Vanessa Gingeira

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Sinopse:

“Lisboa foi assolada no dia de ontem por um terrível ciclone.”

Xica, Rita e Tília são muito diferentes e vêm chegar às suas vidas Maria, a pequena irmã cheia de premonições estranhas. Em época de pós guerra, na região rural da margem sul do Tejo, influenciada pela grande metrópole, Lisboa, as vivências destas raparigas decorrem entre alegrias e brincadeiras, infortúnios e coincidências.

Num elenco de personagens únicas, místicas, aventureiras, sofredoras, modernas e até calculistas, a história atravessa o tempo num fio condutor que encaminha as vidas das quatro irmãs a um destino inesperado.

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