“O peso que carregas”, por José Luís Peixoto

Tenho pena que estas palavras não sejam capazes de abrandar-te o ressentimento. O lugar onde existem, onde são capazes de chegar, não toca o lugar onde conservas esse ressentimento cristalizado. Estas palavras e o teu ressentimento são como universos paralelos num filme de ficção científica, coexistem no tempo, mas são absolutamente paralelos, estão condenados a nunca se encontrar. Constato esta impossibilidade e tenho pena. Creio que aproveitarias melhor o tempo sem esse chumbo ou, pelo menos, sem algum do seu peso. Tudo isto te parece estrangeiro, não te diz respeito. Não chamas ressentimento a essa força que te faz cerrar os dentes, a esse incómodo, não vês motivos para ver-te livre dele ou, sequer, para abrandá-lo. Habituaste-te a ele, acreditas que faz parte de ti. 

Sentes que foi cometida uma injustiça em relação a ti. Essa injustiça pode ter acontecido efetivamente, pode ter sido bastante cruel, mas também pode não ter acontecido. Não é isso que importa, apenas conta sentires que foi cometida uma injustiça em relação a ti. Sentes que a injustiça te inferioriza, talvez não te tenham reconhecido como achas que merecias. Essa dor, ruminada durante anos, formou o ressentimento que conservas. 

Agora, o mal-estar é já uma condição física. Passou das emoções para a atitude e, logo depois, passou da atitude para o corpo. Agora, vês o mundo através do ressentimento, é como um filtro, cobre-te o olhar. E, por isso, só já consegues pensar por intermédio dele. Seriam necessários anos de intensa fisioterapia para retirar-te o ressentimento da postura. A nível interno, está diluído em todos os teus fluídos. Ao correr-te no sangue, chega às artérias mais finas, irriga-te todos os órgãos. 

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[O Dia em que Partiste] Capítulo II – Uma vida a dois

Setembro de 2015

— Bom dia, menina Júlia. — disse a Henriqueta quando entrou na sala com uma garrafa de vidro nas mãos com sumo de laranja acabado de fazer.

— Bom dia, Henriqueta. — cumprimentei-a eu, sempre de sorriso nos lábios.

— O pequeno-almoço não tarda a ser servido. — disse-me logo ela muito despachada.

— Que cheirinho delicioso é este? Cheira mesmo bem. — conclui muito curiosa, enquanto respondia aos emails no iPad.

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Tradições de Natal!

Natal 2004

Os meus Natais fizeram-se, durante grande parte da minha vida, em casa dos meus avós maternos. Uma semana antes do Natal, a minha avó já tinha insónias por causa de tudo aquilo que tinha que preparar para receber a família (o bacalhau, o polvo, as rabanadas, os bolinhos de bacalhau etc) e no dia de Natal levantava-se extremamente cedo. Na consoada jantávamos todos juntos (eu, os meus pais, alguns tios e primos) na mesa de jantar da casa dos meus avós e o jantar durava imenso tempo, até às 21h30m. Depois eu e os meus primos íamos para a sala mais pequena, a paredes meias com a cozinha, e ficávamos a ver filmes, ou já na minha adolescência, jogávamos à sueca até às 00h. Pelas 23h50m, a minha avó distribuía sacos grandes por todos e chamávamos pelo pai-natal. À época, ou era o meu avô, ou o meu tio Pedro ou o meu padrinho. Por vezes, eu e as minhas primas.

Natal 2007

Ainda não existia a crise, por isso se fôssemos 20 pessoas, cada pessoa comprava 20 prendas, por isso, demorávamos 2h a distribuir as prendas (era o máximo!) e a ver o que cada um tinha recebido.

O almoço de Natal voltava a ser em casa dos meus avós, havia bolo-rei, rabanadas, bolinhos de abóbora, tronco de Natal e Molotofe durava grande parte da tarde e depois do almoço juntávamo-nos a ver filmes. O jantar era sempre algo ligeiro ou petiscávamos o que tinha sobrado do almoço. Nos dias seguintes, a minha avó fazia a roupa velha: um prato que é feito a partir das sobras de Natal.

A partir de 2010, a minha avó deixou de ter saúde para receber a família. Movimentava-se com mais dificuldade e desde sempre que teve vários problemas de saúde, por isso, a consoada passou a ser em casa dos meus padrinhos e o dia de Natal cá em casa. A partir desta altura, a minha avó deixou de gostar da época natalícia por já não ter forças para juntar a família, para ela o Natal só fazia sentido se fosse em casa dela com a família toda reunida.

Entretanto surgiu a crise, deixou de fazer sentido comprar 20 prendas e começamos a fazer o amigo secreto para que cada adulto pudesse ter uma prenda. Prendas passaram a ser só para as crianças. Em 2015, a minha avó faleceu. Alguns dos meus tios começaram a passar com os meus primos, a maioria já se casou e tem os seus filhos, por isso das 20 pessoas ficamos 8.

Confesso que a partir do momento em que me tornei adolescente, perdi um pouco o espírito natalício. Aquela magia dos presentes, de decorar e juntar a família. O natal é das crianças. A partir de uma determinada altura deixou de me fazer sentido pedir presentes, principalmente aos meus pais. Quando era mais nova fazia sentido porque era o prémio pelas boas notas da escola, ao crescer já não fazia sentido. Nos últimos anos não peço nada. Há uma ou outra pessoa que me pergunta o que quero no Natal, peço sempre um livro, porque é algo que adoro. Não preciso que me ofereçam nada extravagante para ficar feliz, um livro, um CD ou até mesmo uma conta para a minha pulseira de contas, são presentes que me satisfazem. Este ano posso adiantar que decidi presentear-me com um disco especial de Natal, de uma artista que gosto muito e que lançou um disco de Natal em Novembro. No próximo post desvendo-vos mais sobre isto.

Este ano, devido à pandemia que estamos a viver, não iremos juntar-nos no Natal. Mais importante que o Natal em família, é a proteção de todos.

Aí em casa, como é o vosso Natal?

[Resenha] “Infinito/Somos feitos da mesma terra” – Sara Ana Macedo Afonso

Sinopse:

A história

Chamo-me Maria.
O meu nome pouco importa para esta história.
Sou mulher!
Sou única, e igual a tantas outras.
Sem idade, sem cor, sem peso nem altura…
Sou vida! Sou mulher.
Apenas uma mulher cheia de sentimentos e emoções lutando para sobreviver.
Rejo-me pelo amor:
Pelo amor-próprio, pelo amor ao outro, pela vida…
Aqui desabafo o que o meu coração já não aguenta.
Aqui me exponho de corpo e alma…
É amor, aquilo que me move!
Sou mulher!
Sou Amor!
E esta é a minha história,
Também é a vossa?

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